A amamentação no período pós-parto está longe de ser algo meramente instintivo. O sucesso da amamentação depende também do investimento dos profissionais de saúde destes serviços.

Para ajudar com algumas informações que podem ser preciosas para futuras mamãs, aqui ficam 5 mitos e verdades sobre a amamentação no pós-parto imediato:

1. A mulher não tem leite logo após o nascimento

Meia verdade. De facto, a mulher não tem leite logo no imediato, mas tem o colostro que o seu corpo já foi preparando. Mesmo em pouca quantidade é o suficiente para o bebé! É importante não esquecer que o estômago do bebé no primeiro dia tem o tamanho de uma cereja, ou seja, tem apenas 5 a 7ml de capacidade!

Apesar disso, não são raras as vezes em que se parte do princípio que a mãe não tem leite suficiente, e se oferece ao bebé um biberão com 20 a 30ml de leite adaptado.

Há certas situações – quando há um risco acrescido de hipoglicémia – em que é necessário complementar o bebé logo no primeiro dia. No entanto, devemos respeitar a anatomia do bebé, oferecendo quantidades adaptadas à capacidade do seu estômago.

2. O colostro é apenas uma aguadilha, não alimenta convenientemente

Mito! Completamente falso! O colostro é extremamente importante do ponto de vista nutricional. Mesmo as poucas gotas que a mãe tem de imediato vão permitir não só alimentar convenientemente o seu bebé, como dar o “arranque” a todo o seu sistema digestivo! O colostro tem importantes propriedades nutricionais e laxativas e vai estimular a expulsão do mecónio (o primeiro cocó do bebé)!

3. É importante que o bebé possa ir à mama assim que possível

Verdade! As primeiras duas horas são essenciais para que se possa ter as maiores hipóteses de sucesso na amamentação!

 

Nestas primeiras horas o bebé está em fase activa, em grande parte graças à adrenalina do parto. Vai começar a mostrar os primeiros sinais como virar a cara de um lado para o outro, abrir a boca, como se realmente estivesse à procura da mama da mãe, pode também começar a chuchar nas mãos.

É extremamente importante aproveitar esta fase para propor a mama pela primeira vez. Caso o bebé esteja em contacto pele-com-pele com a mãe, isto acontece com muita naturalidade.

Após este período de cerca de duas horas, é frequente o bebé cair num sono profundo, em que será mais difícil conseguir uma mamada eficaz. As primeiras gotas de colostro, logo a seguir ao nascimento, são também essenciais para prevenir hipoglicémia e pôr todo o sistema digestivo a funcionar, tal como já foi referido.

4. A anatomia da mama da mãe vai condicionar o sucesso da amamentação

Mito! A anatomia da mama da mãe em nada condiciona o sucesso da amamentação! Mamas maiores, mais pequenas, com mamilos mais ou menos salientes, com um formato mais redondo ou mais oval, nada disto significa que a mãe vá ter dificuldades!

O tamanho não importa, pois a glândula mamaria está lá. São raros os casos em que esta glândula é insuficiente mesmo em mulheres com “pouco peito”. Há mulheres com mamilos bem salientes cujos bebés têm mais dificuldades na pega do que outras mulheres com mamilos planos ou até invertidos!

Por isso, mais do que da anatomia da mama, o sucesso da amamentação depende mesmo é do apoio profissional que as mães têm em especial ainda na maternidade!

5. A subida de leite acontece por volta do terceiro dia

Verdade! A subida de leite acontece por volta do 3º-4º dia. No caso de uma cesariana pode ocorrer mais tarde por uma questão hormonal. Na verdade, num parto normal, todo o processo hormonal é desde logo activado pelo corpo da mãe. Numa cesariana este processo tem tendência a arrancar ligeiramente mais tarde.

Nada a temer! A natureza é extremamente bem feita e, salvo raras excepções, o colostro tem tudo aquilo que o bebé precisa nestes primeiros dias!

Em contrapartida, uma mãe que já tem mais que um filho pode ter a subida de leite mais cedo!

O mais importante de tudo, é saber a quem recorrer quando as dúvidas aparecerem!